segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Harlan & Hollingsworth na bitolinha (Bethlehem Shipbuilding Corporation)

Entre os carros ("de passageiros" é redundância) da Oeste de Minas, podem ser encontrados de três origens diferentes: a) importados dos EUA, construídos pela Harlan & Hollingsworth Company, em Wilmington, Delaware; b) nacionais, construídos pela Companhia Trajano de Medeiros, no Rio de Janeiro e c) de construção própria nas oficinas da E. F. Oeste de Minas.
Devido às lamentáveis perdas que temos tido em relação ao nosso patrimônio ferroviário, em especial a do carro Alojamento RB-15, que era um raro exemplar sobrevivente de origem norte-americana, resolvi criar este post.

Exemplar raro de veículo para bitola de 0,76m, construído pela Bethlehem Shipbuilding Corporation por volta de 1910 como Carro Correio e Chefe do Trem, foi destacado posteriormente para trabalhos em trens de Socorro, praticamente sem alterações em sua morfologia. Listado pela Rede Ferroviária Federal como RB-15 e em bom estado de conservação em 1986 (e relistado em 2001), quando do início do processo de tombamento realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 
A Bethlehem Shipbuilding Corporation, em 1904, incorporou a fabricante de carros e vagões Harlan & Hollingsworth, de Wilmington, por isso ainda nos truques vindos com os carros que temos entre os fabricados pela BSC a utilização dos truques Harlan.

 Detalhe do suporte do eixo. Truque Harlan do Carro A-3. Módulo I do Museu Ferroviário, São João del-Rei. Foto de Jonas Augusto, Acervo NEOM-ABPF.  

Carro Animais e Bagagem construído pela BSC para as linhas em bitola métrica da E. F. Oeste de Minas. Foto Acervo NEOM-ABPF.  

Carro Correio, Bagagem e Chefe do Trem construído pela BSC para a E. F. Oeste de Minas, ainda em 1910 os truques vinham com a inscrição Harlan & Hollingsworth. Foto Acervo NEOM-ABPF.


Dos carros da "bitolinha" sobreviventes, originados nos EUA, temos os: A-1 (atualmente em Belo Horizonte na antiga sede da SR-2 da RFFSA), A-3 (Módulo I do Museu Ferroviário de São João del-Rei), A-5 (em estado de decomposição na carpintaria das oficinas de SJdR), A-6 (rotunda de SJdR, estado precário), C-10 (frota ativa, em estado preocupante), D-2 (em Antônio Carlos, MG, no marco zero da Oeste) e RB-15. Alguns em mal estado por falta de conservação, outros necessitando de restauro, um em estado acelerado de decomposição e um perdido por completo descaso.

Carro D-2, Antônio Carlos, MG. Empregado como monumento no que seria o Marco Zero da E. F. Oeste de Minas. Com a equivocada inscrição "A mais estreita estrada de ferro do mundo". A "bitolinha" da Oeste  nem do Brasil era a mais estreita.

Carro A-1, H&H, jardim do antigo prédio da SR-2, Belo Horizonte. Encontra-se em avançado estado de abandono. Ruína anunciada.

O carro BSC em melhor estado de conservação é o A-3, de 1912, que ganhou o conforto do módulo I. Ainda assim, corre lá seus riscos por conta da má conservação do edifício, com suas esquadrias e telhas quebradas e as infiltrações e umidade acima do "necessário". Foto de Jonas Augusto, Acervo NEOM-ABPF. 

Carro A-6, H&H, parte externa do módulo I do museu. Encontra-se em estado delicado, sem devida conservação. Foto Jonas Augusto, Acervo NEOM-ABPF. 

O A-5, H&H, já foi o Carro da Profilaxia do Estado de Minas Gerais (acima). Atualmente está em sério estado de abandono. Foto Acervo NEOM-ABPF.
  
Carro C-10, o único BSC ainda na ativa, 1975. Foto Acervo NEOM-ABPF. 

Carro RB-15 em 1982, trem de Socorro (acima) e atualmente (abaixo). Fotos Acervo NEOM-ABPF.


12 comentários:

Fabio Almeida disse...

Cara, muito bom seu trabalho. Acho um baita descaso mesmo o que fazem com nosso patrimônio. Congratulations!!!

Welber disse...

Pois é, Fabinho, e nós(ratos) continuamos mordendo a canela dos cães raivosos.

Rick Muldoon disse...

Em que parte do complexo ferroviário se encontra o Harlow & Hollingsworth A-5?

Welber disse...

O A-5 está na carpintaria.

Rick Muldoon disse...

Há algumas semanas, eu estava passando pela rua do Vicenza Apart Hotel e vi no desvio do prédio de socorro da iluminação um vagão listado como "ALOJAMENTO" "COZINHA" "RB-17". Tem algo a ver com o RB-15?

Welber disse...

RB é a matrícula dos carros e vagões destacados para os trens de Socorro. Pode ser um carro, uma prancha, um tanque, um box.

Rick Muldoon disse...

Nesse caso deveria ser um carro, desse usados em composições mistas. Voltei á estação outro dia e o RB-17 não estava mais lá, assim como outros dois boxes RFFSA TD-15. A FCA está com algum projeto de restauração? Ou está maçaricando todos eles?

Welber disse...

Meu velho, já fizeram tanta merda, mas tanta merda... que eu não sei te responder.

J.M. "Jones" disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
J.M. "Jones" disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Minas's Trains disse...

Na plataforma de vagões "exóticos" da Estação de São João del-Rei há o carro A-7 (aquele com barras nas janelas) que também apresenta a inscrição Harlan & Hollingsworth em seus conjuntos de rodas. E supreendentemente, vi esses dias no carro A-5 que o mesmo tem inscrito em seus truques as palavras "Trajano de medeiros, Rio, 1916" Não tem lógica. Porque essa discrepância nos dois vagões?

Welber disse...

O A-7 não é Harlam (Bethlehem), ele era o carro pagador, construído ou pela Trajano ou pela Oeste. Os truques podem ser transferidos, os "bolsters" são os mesmos.