quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

EFOM, RMV-Oeste, RMV, VFCO, RFFSA/SR-2

Alguns leitores do Trilhos do Oeste/GaxetaLeaks têm reclamado comigo do excesso de siglas quando (e isso é sempre) falo da estrada de ferro. Acho que em algum momento cheguei a explicar isso, mas agora vou explicar utilizando os monogramas/logomarcas que passaram pela história da ferrovia tema do blog.

E F O M 

Em 1877 foi incorporada na praça mercantil de São João del-Rei, com reunião na Câmara Municipal, a Companhia Estrada de Ferro Oeste de Minas, a qual costumo chamar simples e carinhosamente de Oeste. Não tenho absolutamente nada contra siglas, mas não me agrada pessoalmente a sonoridade de "efom".
Enquanto foi uma empresa de propriedade privada (absurdamente subvencionada, mas ainda assim privada) as locomotivas carregavam em sua pintura a inscrição "E. de F. Oeste de Minas" ou simplesmente a sigla E.F.O.M.

EFOM 17 (EFOM 16, RMV 16). Foto: Baldwin Locomotive Works, 1891.


Falida a companhia em 1898, foi arrematada pelo governo federal em 1903. O nome foi mantido com a federalização da estrada. Com a aquisição de novas locomotivas entre 1908 e 1913, essas vieram com um novo padrão estético para a pintura, agora exibindo o monograma OM, o qual, confesso, é meu padrão favorito of all times. Como não encontramos (ainda) nenhum documento que detalhe com precisão as dimensões, escala, proporções, etc tal monograma, utilizei como modelo para desenhá-lo a fotografia de fábrica da locomotiva EFOM 49 (posteriormente renumerada como EFOM 100 e depois RMV 33). Não ficou lá muito bom, principalmente por não possuir talento com os programas de edição de imagens, ficou com o serrilhado característico do gráfico vetorial de origem.

Por volta de 1920 surgiu um novo monograma OM, que é o que acabou ficando guardado na lembrança dos ferroviários que deram a dica para o OM a ser utilizado para colocar na locomotiva nº1 quando essa tornou-se monumento. Com isso, acabou prevalecendo como o OM definitivo, o que é certamente uma injustiça estética à memória da ferrovia. Abaixo o até hoje utilizado monograma (desenhado este pelo meu amigo Jonas Augusto).



R M V 

Pouco depois que a Estrada de Ferro Paracatu, falida quase que instantaneamente em meados da década de 1920, foi encampada pela Oeste, o governo de Minas Gerais arrendou junto ao governo federal as Estrada de Ferro Oeste de Minas e Rede Sul Mineira, nasce então a Rede Mineira de Viação. Esta última passou a ser denominada Estrada de Ferro Sul de Minas. Entre 1931 e 1937 a RMV ficou subdividida em RMV-Oeste (RMV/EFOM) e RMV-Sul (RMV/EFSM), quando ocorre a unificação administrativa e resta simplesmente a RMV.



RFFSA e VFCO

Em 1957, para administrar todas as estradas de ferro da União, exceto a E. F. Vitória a Minas, foi criada a empresa estatal de economia mista denominada Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima. Até 1965 a RMV manteve-se como divisão da RFFSA, quando a ela foram anexadas as E. F. Goiás e E. F. Bahia Minas para formar a Viação Férrea Centro Oeste.


Em 1975 ocorre nova organização interna, com variados critérios que não vêm ao caso, e o que era VFCO passou a integrar a Superintendência Regional 2 da RFFSA (SR-2). 


Em 1992 a RFFSA entrou no Programa Nacional de Desestatização, com o leilão e privatização, com a concessão e o arrendamento do patrimônio da Rede, das malhas dando fim à operação federal ferroviária e início à liquidação da empresa. Sobre o PND e o que vem depois deixaremos para outra oportunidade.

Para resumir isso tudo, nada melhor do que a sequência de esquemas de pintura realizadas no decorrer de toda a existência e funcionamento desta estrada de ferro:

A atual locomotiva nº 41 representando todas as fases da ferrovia, desde a Oeste de Minas até a SR-2. Arte de Jonas Augusto. (clique na imagem para ampliar)

3 comentários:

thiago2009r disse...

Quando exatamente ocorreu a mudança da pintura das locomotivas da VFCO para RFFSA?Essa mudança ainda me confunde.Quando der você poderia fazer um "especial" sobre as Consolidations e as Americans assim como você fez das Ten-Wheelers.Valeu pelo post.

Welber disse...

Thiago, obrigado pelo toque, já corrigi o texto sobre a data da "superintendenciaregionalização".
Em breve soltarei um post sobre as consolidation "crássica". Já falei das "carabinas" e da "meia-oito".
Sobre as American a coisa é mais complicada, mas posso falar antes das "modernas", como fiz sobre as 4-6-0. Enfim, é mais fácil falar sobre as 10-18-C de 1908 e 1912 (VFCO 18 a 22).
Gracias!

thiago2009r disse...

Pois é eu já havia notado como é complicado conseguir arquivos sobre as 4-4-0 (principalmente as EFOM mais primitivas).Ah,e quem agradece somos nós por você compartilhar seus preciosos conhecimentos sobre essa ferrovia maravilhosa.