terça-feira, 12 de outubro de 2010

As “Carabinas” (ou três tiros pela culatra?)

Em algum tópico mais antigo citei brevemente as três locomotivas construídas pela American Locomotive Company (ALCo) que a Oeste encomendou para a “bitolinha” em 1913. É provável que tenha sido pela impossibilidade de atendimento da Baldwin Locomotive Works (BLW).
Quebrando a hegemonia da BLW em sua frota, em 1913 a Oeste encomendou três locomotivas do tipo Consolidation para a bitola de 0,76m à ALCo, que as construiu nas oficinas da Cooke Locomotive & Machine Works (ALCo-Cookie), em Paterson, NJ. Creio que na mesma leva vieram também unidades para as linhas em bitola métrica.
Pelo design diferenciado das três máquinas, com a caldeira em posição mais alta, e com diâmetro mais tímido, logo ganharam o apelido de “carabina”. A numeração original das três foi 52, 53 e 54. Quando da renumeração que a Oeste de Minas realizou utilizando o critério da rodagem, e as 2-8-0 caíram na série 200, as três receberam os números 200, 201 e 202, o que pode ter relação direta com o menor esforço de tração das três em relação às outras 2-8-0, ou simplesmente o critério era pelo tipo de máquina e fabricante, não é possível ter certeza.
Pelo menos dois dados nos fazem desconfiar do critério de numerãção de acordo com o tipo/força:
1- quando da segunda renumeração, as últimas 2-8-0 (217 a 221) sofreram mudança na ordem. A série de 200 a 221 foi renumerada como série de 50 a 71. A 217 foi renumerada como 69, a 218 como 70, a 219 como 71, a 220 como 67 e a 221 como 68. O depoimento dos maquinistas sobre o desempenho trativo das unidades revela que as locomotivas 69, 70 e 71 realmente eram mais poderosas do que as de números mais baixos;
2- Os mesmos maquinistas, entre eles meus tios João Donato, Joaquim Semeão e Sebastião Florêncio, reclamam da ineficiência das 50, 51 e 52, as tais “carabinas”. Não a-toa foram sucateadas sem grande alarde. Ninguém reclamou.


Fotografias de fábrica da Carabina EFOM 52 (RMV-Oeste 200, RMV 50), 1913. Fotos: ALCo Historic Photos.

Carabina RMV 51 (EFOM 53, RMV-Oeste 201) em Barroso, década de 1940. Percebe-se a placa retangular na lateral da caixa de fumaça, característica ALCo (as BLW eram redondas), além da caldeira alta e estreita. Foto: Charles Small (via Antônio Augusto Gorni).



 
Carabina RMV 52 (EFOM 54, RMV-Oeste 202) em Antônio Carlos (mais acima), rodeada de ferroviários de variados cargos, e em Divinópolis, pouco antes de ser sucateada. Eram tão ruins que terminaram a vida como manobreiras. Fotos: Acervo NEOM-ABPF.
Das sessenta locomotivas para bitola de 0,76m, apenas essas três não eram BLW. Nenhuma foi preservada, as três foram vítimas do maçarico de corte ainda nas décadas de 50 e 60. Certamente seriam belas peças de museu, eram belas máquinas. Bonitinhas, mas ordinárias.


FICHA TÉCNICA

Tipo: Consolidation (2-8-0)
Bitola: 2 pés e 6 polegadas (0,76m)
Fabricante: American Locomotive Company – Cooke Works
Ano fabricação: 1913
Nºs de série fabricante: 54386, 54387 e 54388
Nºs originais: 52, 53 e 54 (E. F. Oeste de Minas)
Primeira renumeração: 200, 201 e 202 (E. F. Oeste de Minas e RMV-Oeste)
Segunda e última renumeração: 50, 51 e 52 (Rede Mineira de Viação)
Obs.: Nenhuma delas chegou a fase Viação Férrea Centro Oeste (VFCO)

2 comentários:

Rick Muldoon disse...

Puxa... nem para ''anão de jardim''?

Welber disse...

Maçarico no período de erradicação da linha entre Bom Sucesso e Paraopeba.