terça-feira, 24 de agosto de 2010

Incorporação ou inauguração?

Foi no dia 28 de agosto de 1881 que veio a falecer o Ministro da Agricultura de Dom Pedro II, Buarque de Macedo. 
"Um nunca assaz lamentado desastre que atingia a proporções de calamidade pública veio trocar as galas em luto e comoveu o Brasil inteiro." (escreveu Aureliano Mourão no relatório de 1882 para os acionistas da companhia a qual presidia) A morte do ministro se deu na viagem de inauguração das estações de São José del-Rei (atual Tiradentes) e de São João del-Rei.

No próximo sábado, 28 de agosto de 2010, completam 129 anos da morte de Buarque de Macedo, o que, apesar dos pesares, não ofuscou a longa história da Oeste de Minas. Por ser a data da inauguração, tem-se como data de nascimento da estrada. Entretanto, poderíamos dizer, sem qualquer problema, que a Oeste de Minas já completou seus 133 anos, e esse aniversário se deu nos últimos dias do mês de março, lembrando que:

No final do mês de março de 1877 os concessionários aportaram em São João del-Rei e convocaram uma reunião na câmara municipal para tratar dos assuntos sobre a construção da ferrovia. Junto com eles, apresentava-se Luiz Alves de Souza Lobo, representante de uma sociedade de construtores que se candidatava a realizar as obras da via.[1]

Numa economia escravista em transformação, as ferrovias representaram importante peça na implantação de formas capitalistas de atuação. Os ativos, até então concentrados em escravos, terras, ouro, prata, passaram a cada vez mais ganhar a companhia de títulos e ações.
A Companhia Estrada de Ferro d'Oeste foi, então, incorporada no primeiro semestre de 1877 e, no período de montagem, podemos observar o esforço propagandístico sobre a concepção da empresa no jornal do partido conservador “O Arauto de Minas”:

A população deste município tem acolhido a empresa com as mais vivas demonstrações de apoio, concorrendo com muito mais de metade do capital de reis 1:200:000$, necessário para a construção desta estrada. Os trabalhos da primeira seção, isto é, de São João d’El-Rei à estação do Sitio, não ficarão aos acionistas em mais de reis 1:200:000$000, pois que a Província lhes presta o importante auxilio da subvenção quilométrica na importância de 9:000$000 de réis. O restante do capital necessário para a realização da primeira seção continua a ser levantado parte nos municípios interessados, e parte no Rio de Janeiro.[2]


A primeira diretoria da Companhia Estrada de Ferro d’Oeste era composta por representantes de São João del-Rei e do Rio de Janeiro, cujos nomes eram: José da Costa Rodrigues (SJDR - 100 ações), Coronel Custódio de Almeida Magalhães (SJDR - 25 ações), Antônio José Dias Bastos (SJDR - 100 ações), Marçal de Sousa e Oliveira (SJDR - 25 ações), José Antônio de Almeida (SJDR - 50 ações), Tenente Gabriel Ferreira da Silva (SJDR - 50 ações), Coronel José Resende de Carvalho - Barão de Conceição da Barra (SJDR - 50 ações), Eduardo Ernesto Pereira da Silva - Barão de São João del-Rei (SJDR - 20 ações), Dr. Carlos Batista de Castro (SJDR - 25 ações), Dr. José de Resende Teixeira Guimarães (SJDR - concessionário), Engenheiro Luiz Augusto de Oliveira (RJ - concessionário)[3]. A sede da companhia foi estabelecida em São João del-Rei.

O início: Marco zero da Oeste de Minas em 1880, com a estação de Sítio da E. F. Dom Pedro II ao fundo. A linha entrou em funcionamento em setembro de 1880 entre Sítio e Barroso. Foto oficial, acervo NEOM-ABPF.    

 O fim: Trem especial na linha do sertão, na altura do km100, Av. Leite de Castro, São João del-Rei, 1984. Este é um dos ultimos registros da linha entre São João del-Rei e Aureliano Mourão. Foto do acervo NEOM-ABPF.

[1] Jornal: “O Arauto de Minas”. Ano I, n. 4, 31/03/1877, p.2.
[2] Jornal: “O Arauto de Minas”. Ano I, n. 12, 26/05/1877, p. 2.
[3] Jornal: “O Arauto de Minas”. Ano I, n. 08, 28/04/1877, p. 2.

2 comentários:

andreacasanova_1 disse...

Muito legal seu blog! Parabéns!!! Venha fazer o doutorado aqui na UFRJ comigo!!!! bjo, Andrea.

Welber disse...

Olá Andréa. Doutorado assim que terminar minha nova graduação, em Arquitetura e Urbanismo. E, também, assim que conseguir expulsar, na justiça, a "empresa privada" que anda confundindo o sentido de "tombamento".
Até lá, inventariaremos também a maturidade intelectual, né!
Beijos